Afinal, toda dor de cabeça pode ser um AVC?

O AVC é uma emergência médica. Atualmente, em conjunto com o grupo das doenças do aparelho circulatório, é a principal causa de morte no Brasil. A dor de cabeça ou cefaleia, por sua vez, é a queixa relativa ao sistema nervoso que mais comumente leva um paciente a uma consulta neurológica. É frequente o médico ouvir do paciente com dor de cabeça que ele tem medo de estar tendo um AVC. Entenda um pouco mais sobre essas duas situações.

A dor de cabeça pode ocorrer em 7 a 65% dos casos de AVC, porém por se tratar de um sintoma muito inespecífico, não deve ser considerada como sintoma mais relevante na suspeita de um AVC. Diversos quadros podem levar a crises de dor de cabeça, incluindo situações sem risco como crises de enxaqueca comum, cefaleia tensional e até quadros de infecção viral (como inflamação de garganta) ou sinusite, por exemplo.

Existem dois tipos de AVC: isquêmico e hemorrágico. O AVC isquêmico ocorre quando uma artéria é entupida e o cérebro que era nutrido por essa artéria entra em sofrimento e morre. Já o AVC hemorrágico ocorre quando há um sangramento espontâneo dentro do cérebro. Enquanto o AVC isquêmico muito raramente causa dor de cabeça, o hemorrágico pode, com mais frequência, se apresentar com quadro de cefaleia. O detalhe é que a dor de cabeça, normalmente, tem início súbito e é muito intensa.

Muitas vezes, os pacientes, que têm cefaleia associada ao AVC, descreve-na como “a pior dor de cabeça da vida”, sendo, frequentemente, associada a outros sintomas neurológicos como fraquezas, dificuldade na fala, alteração do equilíbrio, confusão mental, alteração da consciência, vômitos intensos ou até crise convulsiva. As dores de cabeça simples ou até mesmo enxaqueca (também chamada de migrânea), normalmente, começam mais leves e vão ficando mais intensas gradualmente.

Alguns tipos específicos de enxaqueca podem apresentar alterações transitórias das funções neurológicas como déficits motores ou alterações da visão, chamados de aura. Esses quadros específicos devem ser avaliados por um neurologista, médico especialista, para definir o diagnóstico e orientar o paciente adequadamente. Alguns pacientes que apresentam migrânea com aura têm risco aumentado de ter AVC, como mulheres que usam anticoncepcionais hormonais orais e pacientes fumantes, por exemplo.

O importante diante de um quadro de dor de cabeça frequente é procurar um neurologista, para ser avaliado e receber o diagnóstico correto. Quando a dor de cabeça estiver associada a outros sintomas neurológicos (conforme já citado), principalmente dificuldade para movimentação dos membros, paralisias na face ou dificuldades na fala, deve-se procurar uma emergência para ser avaliado e excluído quadro de AVC.

Cuide da sua saúde!

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